Tudo prova que crianças e adolescentes gostam de escrever para o jornal escolar: avaliações, estudos acadêmicos, relatos de experiências, depoimentos.

O contrário seria surpreendente, pois ao invés de fazerem mais uma redação escolar, vão escrever um texto que circulará publicamente, que permitirá que se expressem e ganhem elogios. A escrita como prática de vida se contrapõe à escrita escolar.

Mas é possível “matar” esse potencial do jornal. Basta o professor estabelecer os assuntos sobre os quais os alunos devem escrever (de preferência, sem problematizar). Depois reservar-se o direito a escolher o que será publicado – sempre os “melhores” textos, provavelmente dos mesmos alunos – e fazer correções para eliminar eventuais rebeldias de pensamento e linguagem.

Pronto! O jornal está morto. Na segunda ou terceira edição os alunos já entenderam o que significa “escolar”. É um jornal da escola que não os ouve. É outra forma de redação escolar.

Alguns alunos continuarão interessados. A maioria continuará como sempre, achando a escrita uma coisa sem função, cujo único vínculo com a suas vidas é a nota. Depois reclamamos porque os estudantes só estão interessados pelo diploma!

 



A expressão “jornal escolar” é utilizada para publicações com funções e origens diferentes. Isto pode provocar confusões.

Os jornais institucionais têm como objetivo principal a comunicação oficial para famílias e comunidade, procurando valorizar o trabalho da escola ou mesmo da sua direção. Eles têm pouca ou nenhuma participação dos alunos, cujos textos, se publicados, são selecionados e revisados pelos professores.  Esses jornais publicam muitos textos institucionais e chegam a ser editados por jornalistas profissionais. O impacto na aprendizagem é praticamente nulo.

Os jornais estudantis são produzidos pelos Grêmios, Clube do Jornal, grupos culturais juvenis da escola etc. O controle editorial fica na mão dos próprios adolescentes. Neste tipo de jornal, o professor só participa como colaborador. Do ponto de vista da reflexão educativa, o jornal estudantil faz parte tanto do campo da comunicação-educação como da pedagogia do protagonismo juvenil.

Os jornais escolares não têm como objetivo a divulgação institucional, nem são iniciativas autônomas dos estudantes. Eles fazem parte do projeto pedagógico das escolas e manifestam uma visão de educação que se sustenta no respeito pela expressão dos alunos. Tudo que os alunos escrevem é importante e eles mesmos escolhem o que é publicado, em interação com os professores. Esse é o legado de Célestin Freinet.

 



Os nossos jornais não são imitações nem substitutos de jornais adultos. São uma
produção original que tem a partir de agora as suas normas e as suas leis, que tem,
é certo, as suas imperfeições, mas que apresenta também a vantagem histórica de
abrir uma nova via de conhecimento da criança e de prática pedagógica de que o
futuro mostrará a fecundidade (Célestin Freinet, O Jornal Escolar, 1926).

Contrariamente ao que a própria expressão poderia indicar, Jornal Escolar não é jornalismo. Nossas escolas não são escolas de jornalismo. Propomo-nos acolher, incentivar e alimentar a expressão de crianças e adolescentes, através de processos de aprender fazendo que permitam a aquisição de competências leitoras e escritoras, de cooperação, criticidade e participação social.

Qualquer gênero textual permite realizar esses objetivos, se houver estratégias adequadas do professor. Limitado aos gêneros jornalísticos, o jornal fica engessado e mesmo empobrecido – sobretudo se toma feição de boletim institucional da escola.

Ao contrário, se libertamos as forças da criatividade, o jornal escolar se apresentará como um patchwork de textos, cuja graça está na diversidade e na autenticidade das produções dos alunos. Acrósticos, jogos matemáticos, poemas, desenhos, fotografias, relatos, bilhetes, cartas, textos informativos. Tudo cabe no jornal escolar!

Veja mais:

 



Por Roberto de Queiroz, Coordenador Pedagógico da Escola Municipal Assembleia de Deus, que edita o jornal Pequeno Escritor (cinco edições). Camela – Ipojuca – PE

As sequências didáticas do programa Jornal Escolar Primeiras Letras são escritas em linguagem simples e podem ser alinhadas aos eixos temáticos trabalhados em sala de aula. Elas giram em torno do estudo de gêneros textuais (contemplados nos eixos) e isso permite tal alinhamento.

Geralmente, as sequências didáticas são compostas de nove aulas. Da primeira à sétima, aborda-se o conceito de gênero e (na parte de revisão textual) o eixo análise linguística e reflexão sobre a língua. Quer dizer, os conceitos de cada gênero em particular (selecionados previamente) são vivenciados em sala de aula (na teoria e na prática) pelos estudantes no momento da produção (oral/escrita) e revisão dos textos das sequências.

Da oitava à nona sequência (com o jornal já impresso), retomam-se os conceitos de gênero e a revisão textual (o eixo análise linguística e reflexão sobre a língua), de modo que são revistas todas as seções do jornal. Inclusive são sugeridos novos títulos.

Enfim, o programa Jornal Escolar Primeiras Letras possibilita aos estudantes o contato direto com gêneros textuais diferentes (oralmente e por escrito), tornando possível, pois, a reflexão sobre a própria língua e sobre a função social de cada gênero (re)escrito / (re)lido em sala de aula.

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“Vi muita gente profetizar a morte da literatura de cordel. Vi alguns desses profetas morrerem e a literatura de cordel continua viva.”
(Ariano Suassuna)

Quem trabalha com jornal escolar é frequentemente questionado: Por que não fazer um blog? Não seria melhor? É uma pergunta pertinente que leva a interrogar-se sobre as vantagens e exigências apresentadas por um e outro recurso.

De início, é importante considerar que embora sejam muito diferentes no que diz respeito ao suporte da comunicação (real/virtual), as duas mídias colocam idênticos desafios sobre a produção dos conteúdos e a edição. Blogs e jornais não têm nenhuma relevância quando constituem meros exercícios escolares autoritários. Temos de ter cuidado com as ideologias implícitas: a modernidade tecnológica ou a tradição impressa não apresentam, em si mesmas, nenhuma vantagem ou desvantagem no campo dos processos ensino-aprendizagem. Tudo é pedagogia.

Isso dito, é fácil perceber o interesse que apresenta o blog por veicular conteúdo multimídia praticamente ilimitado e oferecer interatividade universal e instantânea. Porém, para que a vantagem tenha um significado real o blog precisa ser alimentado regularmente, pois os internautas tendem a deixar de visitar sites e blogs não atualizados. Uma pesquisa na internet permite observar que essa exigência, que impõe certo uso do tempo escolar (a “cadência” da produção dos conteúdos) não parece ser suficientemente percebida. O resultado são blog desatualizados e com poucos visitantes.

O jornal escolar está muito mais limitado no conteúdo que pode oferecer, mas não sofre esse problema de atualização, por constituir um produto “fechado” que circula completo. Ele tem um momento de pertinência e depois sai de circulação. Mas renasce na próxima edição.

A interatividade no jornal escolar é também muito mais limitada que o blog, mas de nenhuma maneira nula. O fato de ser um objeto real, o transforma em suporte de momentos de convívio. Ele pode ser lido e comentado entre colegas, em casa ou no trajeto do ônibus – a observação do que acontece no recreio, após a distribuição do jornal, é bem ilustrativa a esse respeito. O jornal pode ser trabalhado como suporte interativo em sala de aula (sem necessidade das TICs), basta o professor organizar as práticas didáticas pertinentes. Tarefas de casa trazem a família para a interatividade.

Do ponto de vista da circulação, a facilidade do blog parece enorme – pode ser acessado a qualquer momento, em qualquer lugar. Olhando mais de perto, porém, essa facilidade reduz suas proporções, e pode mesmo se transformar na principal ressalva para esta mídia, dependendo do público-alvo.

Com efeito, a afirmação de que o blog se situa no mundo virtual não é totalmente verdadeira: para acessá-lo é necessária a mediação de um kit tecnológico (dispositivo de acesso e internet) nem sempre disponível aos alunos e suas famílias. Quanto mais baixamos na escala socioeconômica, mais verdadeira se torna a afirmação. Neste ponto, a simplicidade constitui uma vantagem para o jornal escolar. O estudante recebe na escola, coloca na mochila, e o jornal já está circulando. A distribuição em reuniões de pais ou em comércios do bairro completa sua eficácia para chegar à comunidade escolar e ao entorno territorial.

Percebemos que do ponto de vista da circulação, as duas mídias têm natureza diferentes. O blog requer que o leitor vá ao meio físico (o computador) e que ele tenha a intenção – combinação de lembrança e de interesse – de acessá-lo. O jornal escolar, ao contrário, vai ao encontro do leitor e propõe um acesso instantâneo: basta pegar e ler, mesmo de maneira casual.

Então, blog ou jornal? Qual é a melhor alternativa? O melhor é mesmo recusar a pergunta! Não há melhor opção, há apenas recursos mais adequados, conforme o contexto, as propostas de trabalho e a gestão do tempo do educador.

O jornal parece ser a melhor opção para projetos que apostem ou precisem da comunicação de proximidade com a escola e o bairro. Já o blog é imprescindível para o contato e a articulação com pessoas de outras escolas, bairros, municípios, estados ou países. Por que não pensar, aliás, no conjunto jornal escolar + blog? Uma das formas de combinação poderia ser a seguinte: jornais impressos nas escolas, e um blog unindo e comunicando os leitores e redatores dos jornais do município.

Daniel Raviolo
raviolo@comcultura.org.br

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De: walkiria saade [mailto: retirado para manter privacidade]
Enviada em: quarta-feira, 7 de dezembro de 2011 10:02
Para: Impressao
Assunto: Re: Numero para rastreamento JORNAL

Bom dia!
Nosso dia começou muito bem com o recebimento do Jornal Fala Rodolfo.
Estamos super felizes por vocês terem contribuído na consolidação desse
projeto. Parabéns e obrigada pela notável parceria. A equipe do Programa
Mais Educação da Escola Rodolfo Hollenweger da cidade de Blumenau agradece.
Grata
Walkiria Maria Saade
Coordenadora do Programa Mais Educação

P.s: Seguem fotos para comprovar nossa alegria.


(nas fotos professores Eliete e Maicon, e aluno Willian)

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Avaliação realizada junto com os educadores da Paraíba que trabalham com jornal escolar, em 23 de fevereiro de 2011, trouxe a informação de que os alunos aproveitaram a sequência didática História de Vida – em princípio orientada para a coleta de relatos de terceiras pessoas – para contar suas próprios histórias, em registro autobiográfico. Muitos deles contaram histórias pessoais dolorosas, o que foi interpretado como uma libertação pelos professores presentes na avaliação. Essa apropriação inesperada ilustra o pensamento de Freinet:

As recentes pesquisas da psicanálise contribuíram para pôr em relevo os perigos que constituem para o indivíduo a incapacidade em que se encontra de exteriorizar os seus problemas.
Guardamos conosco segredos que nos obcecam e nos corroem porque suscitam complicações para as quais não conseguimos encontrar sozinhos a solução.
O simples fato de o indivíduo exteriorizar estes problemas, de os lançar no circuito coletivo e social, de esperar portanto soluções favoráveis, constitui uma descarga moral, ou melhor, uma descarga psíquica que nos permite reagir mais sensatamente (…).
A Escola habitual desinteressa-se disso totalmente, por princípio e até por técnica, podíamos dizer. Age como se a criança que acolhe fosse uma matéria nova, sobre cujos destinos às especulações da Escola pudessem prosseguir independentemente de todas as realidades prévias que a condicionam (…)
Mas os textos livres contar-nos-ão, abertamente ou não, a situação familiar dramática daquela criança (…). Esta revelação vai modificar profundamente – ainda bem, aliás – a situação escolar desta criança; serão estabelecidas novas pontes e abrir-se-ão vias novas à intercompreensão – tudo isto pode estar na origem de verdadeiras ressurreições.

(O Jornal Escolar, 1967, veja o texto Apresentando Freinet, no menu Pensando o Jornal)

Você concorda com esta opinião de Freinet? Veja alguns dos textos publicados pelos jornais e escreva seu comentário.

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Relato da professora Danielle Tavares
Escola Municipal Manoel Luiz Cavalcante Uchoa
Porto de Galinhas – Ipojuca/PE
Jornal Escolar A PORTA ABERTA DE PORTO

Os alunos da 4ª série (5º ano) tiveram contato com o gênero textual artigo de opinião, gênero este muito interessante para ser trabalhado, já que sabemos que muitos chegam as últimas séries do ensino médio sem saber argumentar.

Nas primeiras aulas da sequência didática proposta pelo Programa Primeiras Letras os alunos simularam um júri e se dividiram para dar opiniões, a favor ou contra, sobre o tema: “Criança tem opiniões?”. Após a dramatização, houve uma leitura bastante apreciada de artigos de opiniões escritos por crianças da mesma faixa etária em outras escolas. Os nossos alunos se identificaram e começaram a perceber como o ato de argumentar é necessário para a vida de qualquer cidadão e como a gente faz isso tão constantemente que, às vezes, nem percebemos.

Diante disso entenderam que criança também tem seus direitos e merecem ser ouvidas:

“A criança e o adolescente têm, muitas vezes, sido visto como um sujeito de necessidades e pouco se tem trabalhado, na prática, com a perspectiva da criança e do adolescente como sujeito de direitos e autor de si próprio, ou seja, capaz de atuar significativamente no campo social, dando suas opiniões e o que nesses últimos tempos já vem sendo colocado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente”. (ABRAMO, 2007, pág. 12)

Após essas discussões buscamos coletivamente temas polêmicos que fizessem parte do cotidiano. A merenda escolar foi um deles. Os alunos fizeram uma pesquisa na fila da merenda perguntando quem gostava ou não da merenda escolar. Com este material elaboramos um gráfico e diante dos resultados foram produzidos artigos de opinião. A pesquisa foi enfatizada como parte fundamental na produção de qualquer artigo de opinião.

Outro tema, também escolhido pelos alunos, foi o consumo e comércio de drogas nas comunidades. Vários relataram fatos interessantes e deram suas opiniões alertando sobre a necessidade da prevenção por parte dos pais e de todos na comunidade, para que as crianças não entrassem no comércio desses entorpecentes. No debate que se seguiu e no momento da produção textual, as professoras das 4ª desenvolveram juntamente com os alunos o respeito pelas opiniões contrárias as do autor.

O processo de reescrita ajudou-os nas dificuldades ortográficas já que, para uma publicação em um suporte de circulação, era preciso perceber a importância de não haver erros ortográficos. O vídeo disponibilizado pelo Programa, mostrando alunos relatando suas preocupações em escrever “certinho” serviu como estímulo para o grupo.

Referência da citação:
ABRAMO, H; SPOSITO, M. Juventude em Debate, São Paulo: Cortez , agosto 2007



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Meu nome é Cintia, estou vice-diretora na EMEIF Francisca Oriá Serpa, em Fortaleza, e acompanho o grupo de alunos que fazem parte do Programa Fala Escola. O nosso jornal chama-se Jornal da Comunidade. Entre as experiências desenvolvidas pelo programa, que tenho acompanhado, uma tem me chamado a atenção e me deixado muito contente.

Um ponto que é muito discutido com os alunos é o Código de Ética das publicações. Durante as reuniões de pauta é uma questão para a qual eles estão sempre muito atentos e isso tem refletido em outras áreas, como o respeito aos espaços da escola, ao material e principalmente às pessoas. Os alunos têm pensado na questão ética nas diversas situações de vida e isto é um ponto mais do que positivo, pois muitos projetos e atividades desenvolvidos pela escola podem contar com esse grupo que conseguiu ir além do objetivo especifico (o jornal escolar) diferenciando-se dos demais alunos.

Minha visão do Programa Fala Escola era apenas como um grande aliado para o letramento, mas descobri que esse programa vai além do cognitivo, para desenvolver o ser na sua criticidade, sociabilidade e humanidade. O programa conseguiu o objetivo educacional que é transformar conhecimentos em aprendizados que enriqueçam e transformem nossas vidas, nos fazendo pessoas melhores.

Essa experiência eu tenho vivenciado com o grupo que faz parte do Programa Fala Escola.

Maria da Conceição Almeida Ramos (Cintia)



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Pesquisadores de diversos campos e tendências têm constatado, ao longo dos últimos 40 ou 50 anos, que a escola tem cada vez menos influência na formação das novas gerações.

Essa situação decorre, basicamente, do crescimento dos meios de comunicação, a partir da divulgação massiva da televisão, tendência aprofundada hoje pela internet. Por esses dois canais, principalmente, uma multiplicidade de informações de sentidos opostos – valores positivos e negativos, situações sublimes e escabrosas – circula vertiginosamente.

Com essas mudanças, “a escola deixou de ser o único lugar de legitimação do saber, pois existe uma multiplicidade de saberes que circulam por outros canais e não pedem autorização à escola para se expandir socialmente. Essa diversificação e difusão do saber por fora da escola é um dos desafios mais fortes que o mundo da comunicação coloca ao sistema educativo” ¹.

Qual o papel da escola?

Existe um campo de reflexão pedagógica que se ocupa dessa questão: é a mídia educação, ou ainda educomunicação, educação para a comunicação ou educação pela comunicação. A enumeração dos nomes possíveis indica que é um campo em construção, aberto à experimentação e à criação. Propõe, em primeiro lugar, assumir que a relação da escola com o seu público nunca mais voltará a ser o que era, simplesmente porque as crianças e adolescentes mudaram pelo contato com os meios de comunicação. Em segundo lugar, propõe uma atitude desafiadora, integrando a escola ao mundo da comunicação; em lugar de negar a realidade, mergulhar nela…

A produção do jornal é uma estratégia nesse sentido. Ao publicar a criança entende espontaneamente que está participando do mundo da comunicação (sabe que outras pessoas vão ler o que escreveu). Cria-se, portanto, uma situação ideal – a experiência vivida – para o professor/a iniciar um processo ensino-aprendizagem sobre a responsabilidade de fazer comunicação, o pensamento sobre o outro que isso envolve, a necessidade de praticar o discernimento ético e moral ao escolher tal ou qual conteúdo, tal ou qual abordagem. Uma criança guiada adequadamente nesse momento tem condições de desenvolver sua autonomia perante o fluxo da comunicação, de ser um receptor crítico.

Em que medida, você professor, você professora, tem pensado em levar o mundo da comunicação para a sua sala de aula?

(¹) Jesus Martin Barbero, Jóvenes: comunicación e identidad. Revista digital de Cultura de la OEI.

Número 0 – fevereiro 2002 (em: www.oei.es/pensariberoamerica/ricOOaOO.htm).

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